quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Encontrar quem???

Dia desses lembrei de uma reportagem que li sobre Coco Chanel, numa dessas revistas que a gente pega quando está no salão. Com os 80's nos ouvidos, unhas entregues à manicure e a hidratação no cabelo, coloquei a revista no colo, desliguei meu QI e mergulhei no que eu chamo de "momento mulherzinha".


Parágrafo por parágrafo, fui conhecendo mais sobre a mulher responsável pela invenção da primeira calça feminina. Pelo famoso "pretinho básico". Pelo fim da era dos espartilhos. Tipo assim, eu paguei pau fácil. Mas, o primeiro impasse com o meu recém ídolo veio rápido. Dentre algumas citações transcritas na reportagem, em uma delas Chanel dizia que uma mulher sempre deve estar pronta para encontrar o homem da sua vida. Imediatamente meu(minha) superego surgiu, me auditando. Apontou para mim, toda poderosa com as unhas francesinhas e os cabelos hidratados com Alfaparf, acusando-me de pecar contra o mandamento. Seria esse o meu problema?

*tilt*

Não sou desprovida de vaidade, pelo contrário. Mas ela nunca teve um sentido de obrigatoriedade. Por exemplo, adoro usar salto. No trabalho deixa você mais elegante e na balada deixa suas pernas falarem por si só. ;) Mas, cansa bastante, principalmente se você saiu de casa às 8h e só vai voltar às 23h. Daí, algumas vezes quando largo do trabalho direto para a faculdade, troco o salto por havaianas, mantendo a mesma roupa. Pois é, coisa boba, mas eu fico perambulando pela faculdade mais cocota do Recife com roupa social, desmantelada pela havaianas nos pés. (Whatever, não deve ser lá que vou encontrar o homem da minha vida mesmo.)

Ser motivada pela iminência de esbarrar com ele? The one? Não sei se isso é inocente ou ridículo. E, por acaso, o cara vai olhar pra mim e falar "nossa, que lindo esse batom"?

Há mulheres cuja preocupação se resume a essas duas coisas: ser linda e encontrar o tal homem da vida delas. Não que eu ache isso errado, afinal cada um tem sua maneira de ser feliz. Mas eu simplesmente acho isso muito pouco para a gente.

Analisando (histórias que depois eu posso contar nessa mesma bat-caverna), cheguei à conclusão oposta da Chanel: a mulher não deve estar sempre preparada para encontrar o homem da sua vida, mas para perdê-lo.

Primeiramente, perder o apego à essa idéia de paraíso prometido com "um homem da sua vida" doido pra ser achado, amante latente, pronto para viagem, como uma lasanha congelada que você compra no supermercado e não te dá trabalho nenhum. Na população masculina, mais ou menos 3 bilhões de criaturas, há uma cacetada de sapo e uma quantidade rara de homens de verdade. Mas príncipe encantado? Não né. Se não acredita, aproveita que tá sonhando e pede um pônei!

Não ser de ninguém e viver tribalisticamente é até fácil. Mas não rola.

A outra perspectiva da perda é bem mais difícil, principalmente quando ela se materializa. Digo perder, ou reconhecer que perdeu, um homem que esteve do seu lado por algum tempo. Como normalmente eles correm da DR como o diabo da cruz, cabe a nós (mulheres) dar um basta, antes que eles protelem a situação até massacrarem nossa auto estima por completo. Daí a verdadeira necessidade de preparação ser essa - estarmos preparadas para perdê-los. I mean, a gente tem que saber a hora de terminar.

Não estou falando de "fazer a fila andar", ou qualquer dessas filosofias de micareta (aliás, eu não sei o que é pior, se é beijar um cara tentando transformá-lo em príncipe, ou sair por aí beijando tudo que é sapo porque tá desencantada).

Estou falando que as mulheres devem estar preparadas para entender a situação e saber resolvê-la. Seja para recuperar as rédeas do cavalo da situação, quando ele ela impõe condições contrárias à sua felicidade. Seja porque são inteligentes e sabem que merecem outra história, outra pessoa, outros sentimentos. Seja para não esperar que ele mude ou se decida. (Como se ele tivesse que mudar, né). Atitude é a palavra-chave. Ser mulher não é fácil, mas a gente aguenta.

"There are so many special people in the world!"

sábado, 6 de setembro de 2008

And that, my friend, is what they call closure.

- Enfim, Marcelo... é isso.

Concluí o discurso de final de namoro tal qual vinha ensaiando há umas duas semanas. Curta, indiferente e cínica - uma perfeita lady do século 21. Tudo fora escolhido. Palavras, reticências, o olhar e aquele jeitinho de deixar claro por entrelinhas que:

1- era tudo culpa dele
2- eu não estava sofrendo por ele
3- era ele quem estava perdendo

Olhei as horas, tentando controlar a ansiedade que tinha por sua réplica.

- Tá bom. Fica com Deus.

COMO ASSIM????????????????????????????????????????????

PÁRA, VOLTA!!!

- Tá bom. Fica com Deus. - foi isso mesmo que ele disse, sem retrucar nada, com aquele jeitinho infalível de bom rapaz.

Mas eu não fiquei com Deus. Eu fui pro Inferno!

Perdi o script. Aquele instante era a ilustração perfeita da (in)diferença entre eu e Marcelo: enquanto a minha indiferença era ensaiada, a dele era autêntica. Lá estava eu me acabando, junto com o namoro, e ele nem 'tchum'.
Era mesmo o fim. Enquanto a ficha caía, uma dor aguda e inesperada se apossou de mim. Será que, na verdade, eu esperava que ele me impedisse? Já tinha desabado por dentro, mas agora a minha fachada também ia para o espaço. Todos os sintomas do vexame ali: nó na garganta, suor nas mãos, pulsação acelerada, os olhos molhados...

E, para completar, ele se aproximou para me dar um abraço de despedida (OWNED). Percebi que não ia agüentar, que ia cair o chororô nos braços dele e ia ser aquela coisa. Eu já tinha perdido a pose. E se ele tentasse me consolar? Mais fundo que o fundo do poço!

Então, respirei fundo, contive o choro e, pedindo socorro ao meu lado ruim (que adora despertar nessas horas), impedi o desastre.

Afastei-o e olhei para ele.

Ele me olhou de volta com aquela cara linda de moço bem comportado... mas peraí. Ele não era bem isso, não é verdade? Recorri a uma interpretação desapaixonada e o que enxerguei foi um filho da puta, indiferente, movido a sangue de barata. Ah, eu enjoei de comida sem sal! Descobri, naquele momento, que a perfeição me irritava. E essa descoberta me fez perder o medo de perdê-lo. Estava saturada de aparências, precisava destrancar emoções, perder as estribeiras, sair da linha... Precisava, merecia e queria naquele instante, inadiavelmente.

Então, ao melhor estilo "enough is enough", de Samuel L. Jackson em Pulp Fiction, voltei ao script, improvisando.

- Marcelo, só mais uma coisa.
- O quê?
- Vai tomar no cu.

Virei as costas e fui embora. Subiram os créditos na tela: nunca mais chorei por Marcelo. E ainda acho graça da história.

De virada, é sempre mais gostoso.