sábado, 22 de novembro de 2008

Bizarre Love Triangle


Os dois disfarçavam, mas sabiam. Ele adivinhou tudo muito fácil, observando os olhos dela atravessarem sentimentos pelas barreiras intransponíveis do inadequado, do inesperado.

Na presença dele, ela perdia a naturalidade, se esforçava para manter o mesmo comportamento padrão. Ninguém imaginava que aqueles poucos minutos da presenaça dele conferiam outro sentido ao seu dia. Ela não podia exteriorizar, então guardava tudo para lembrar mais tarde, já longe dali. Detalhes insignificantes aos olhos alheios tinham para ela uma relevância incompreensível.

Vivia o paradoxo de se sentir aliviada com a ausência dele, mas já ansiosa para vê-lo novamente.

O amor é platônico e isso dispensa qualquer sentido.

“Everytime I think of you I feel shot right through into a bolt of blue.”

3 comentários:

Daywson Oliveira disse...

Simplesmente FODA!

Quando crescer, eu quero escrever assim. =]

Beijos, me liga!

Ed Marciano disse...

uau... acho que não me sinto como essa menina... desde os... 16 anos de idade. E você Laurinha? como anda?

Unknown disse...

Ed, amor platônico nunca se esgota. É intransitivo. É mal de quem crê no amor romântico (mito?). Amor platônico é nada mais que imaginação em forma de moldura, na qual você encaixa exatamente qualquer pessoa. Ele é independente do objeto de sua afeição, pois mesmo que a pessoa se apague, a moldura permanece.

Os sentimentos reais são apenas cópias imperfeitas dessa moldura. Não há como transpor o perfeito para o mundo fático, pois o perfeito só existe no mundo idealizado. Isso segundo Platão. É por isso que os românticos são eternos insatisfeitos pois quando se apaixonam crêem haver atingido uma dimensão impossível, daí se frustram com a realidade quando ela se mostra, inevitamente, imperfeita.

Aliás esse post é só imaginação, nada mais.